A cidade de Paragominas, no nordeste do Pará, a 320 km de Belém, vive e cresce há 13 anos com o corte de árvores na floresta. A maioria (56%) dos 60 mil habitantes da cidade come e respira, bem ou mal, graças aos negócios gerados pelo trepidar das motosserras. Surgiu em 1966, com subsídios oficiais para a abertura de fazendas. Mas hoje, com 98 serrarias na área urbana, segundo a prefeitura, tornou-se o maior pólo madeireiro do país. A indústria madeireira gera cerca de 5.750 empregos diretos, segundo dados da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias) e do Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente na Amazônia), uma entidade ambientalista financiada pela WWF (World Wildlife Foundation). Está aqui a maior parte dos 13 mil empregos diretos gerados pela
77330 indústria madeireira na região, afirma Sidney Rosa, presidente do Sindiserpa, sindicato que reúne os madeireiros de Paragominas. Nove em cada 10 caminhões que saem da cidade transportam madeira. Um leva gado. A atividade responde por 80% da arrecadação da 8a. Região Fiscal da Secretaria de Fazenda do Pará. Tudo sem dinheiro público, que nos governos militares alimentou queimadas para a formação de pastagens. Iniciada em 1980, a indústria madeireira tenta agora fazer as pazes entre economia e ecologia, depois de ser acusada de fazer mau uso da matéria- prima retirada da natureza e de ser responsabilizada pela poluição da cidade. Os madeireiros estão sendo estimulados a adotar, em 1994, tecnologias de corte de árvores mais rentáveis e menos danosas à floresta. Essas tecnologias estão sendo desenvolvidas numa fazenda pelo Imazon. Os madeireiros fizeram acordo com o prefeito Joel Santos (PDT) para não queimar mais serragem de madeira na área urbana. Em 1992, foram obrigados por força judicial a instalar nos arredores da cidade fornos de carvão vegetal. Este ano, contrataram um químico (FSP).