IBSEN NÃO CONVENCE CPI

O deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), ex-presidente da Câmara dos Deputados, não conseguiu explicar ontem as quatro principais denúncias que o levaram a ser convocado pela CPI da máfia do Orçamento: a movimentação bancária de US$2,3 milhões nos últimos cinco anos; a origem de US$127 mil pagos pela primeira parcela de compra de um apartamento em Porto Alegre; os depósitos do deputado Genebaldo Correia (PMDB-BA) em sua conta; e o arquivamento de uma outra CPI do Orçamento, requerida há dois anos, quando era presidente da Câmara. A maioria dos integrantes da CPI não se satisfez com as versões apresentadas. O relator, Roberto Magalhães (PFL-PE), acha que Ibsen tem ainda "muitas contas a prestar à CPI". Ibsen também não respondeu por que, quando líder do PMDB, indicou alguns dos "anões" do Orçamento e afastou dois assessores da Câmara contrários ao esquema de corrupção. O único dado adiantado por Ibsen sobre a auditoria encomendada à Trevisan e Associados foi o de que seu patrimônio não passa de US$348 mil. Para evitar um possível confronto desfavorável com os dados levantados pela CPI, o deputado resolveu requisitar todos os documentos da CPI, aos quais só poderia ter acesso após o depoimento. Ele vai consultar os auditores e somente no dia 10 de janeiro repassará o somatório final de sua movimentação bancária ao relator da CPI. Ibsen disse que era um bom advogado, que vendeu imóveis e que, a partir de 1989, começou a liquidar seu patrimônio e investiu em aplicações financeiras. Depois do depoimento, Ibsen disse ter saído aliviado e convencido de ter prestado todas as informações buscadas pela CPI. "Saio muito mais confortado. O dano político é irreparável, mas isso é secundário", afirmou. O deputado Ibsen Pinheiro foi poupado pelos parlamentares de outros partidos, ao depor na CPI. Dizendo-se constrangidos por estarem naquela sessão, alguns fizeram discretos elogios e ressaltaram o passado do parlamentar do PMDB. A sessão terminou sem que a Comissão conseguisse dar mostras de que possui provas de vinculação do peemedebista com fraudes do Orçamento (O Globo) (FSP) (JB).