DOM PAULO DIZ QUE IMPUNIDADE E INFLAÇÃO AMEAÇAM DEMOCRACIA

O cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, afirmou ontem que teme a implantação de um novo período de ditadura no país. Na opinião do cardeal, setores da sociedade interessados na manutenção de um patamar alto de inflação ameaçam as instituições. O resultado dos trabalhos da CPI da máfia do Orçamento também servirá de termômetro da ordem democrática. Segundo Arns, se a CPI não apontar culpados, o próprio Congresso Nacional ficará desacreditado. "Se for acabar em pizza, o Congresso está liquidado. É importante que os parlamentares entendam que a instituição não pode ser destruída. É preciso que se eliminem os elementos nocivos e que eles tenham um julgamento severo. Da parte dos militares, acho que não há risco de uma nova ditadura, mas sim da parte dos que têm dinheiro e apostam na inflação", afirmou. De acordo com o cardeal, porém, o período da ditadura que começou em 1964 ainda não terminou totalmente. "A ditadura semeia a corrupção e a esperteza e isso ainda continua no Brasil", disse. Sobre o governo Itamar Franco, dom Arns afirmou: "Não quero falar mal porque sempre o defendi. Gostaria que ele tivesse mais apoio dos partidos políticos, inclusive na escolha de seus ministros. É um governo de transição, mas o Estado está fraco para enfrentar a crise". Sobre a campanha contra a fome disse: "A coleta que está sendo feita não deveria ser para apenas um dia. A coleta deveria ser de bom emprego para todo mundo" (O Globo) (FSP) (JB).