ACORDO POUCO GENEROSO DA DÍVIDA EXTERNA

Se o Brasil completar o acordo com os bancos credores, conseguirá uma redução líquida da dívida que está em negociação de 33%. Entre os sete países que já fecharam acordos semelhantes, só a Venezuela obteve algo pior, todos os outros tiveram reduções mais generosas. Esta é a conclusão possível a partir de um estudo feito pelo Banco Mundial (BIRD) e incluído no seu "World Debt Tables 1993/94", recém- divulgado. Pelos cálculos do BIRD, em média os sete países tiveram uma redução líquida de 42% da dívida negociada. Não é fácil calcular o impacto dos planos tipo Brady, assim chamados por terem sido inspirados, em 1988, pelo ex-secretário do Tesouro norte- americano, Nicholas Brady. Cada plano tem um desenho com implicações diferentes. O instrumento básico de redução da dívida é a troca de dívida antiga por bônus que ou são emitidos a um valor de face menor do que a dívida original, ou com juros abaixo do mercado. Outros acordos incluem recompra de dívida e opções para injeção de dinheiro novo. Os acordos envolvem a compra de garantias para o principal e/ou juros dos bônus. Ao todo, foram sete países que já concluíram um Plano Brady, envolvendo uma dívida de US$110,6 bilhões. A redução líquida obtida foi de US$46,3 bilhões, ou uma média de 42% do total. A Nigéria foi o país que obteve a redução mais significativa, 80%. Vêm depois a Costa Rica, com 73%, as Filipinas com 51%, o Uruguai com 50%, o México com 43%, a Argentina com 39% e a Venezuela com 26%. O Brasil ainda não completou sua negociação. O BIRD estima, de todo modo, que se o acordo for concluído em 1994 e se envolver todos os bancos, a redução líquida será de um terço do valor do débito em discussão com os bancos credores, considerados todos os impactos sobre o fluxo futuro de pagamento (GM).