O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) divulgou documento mostrando que o ano de 1993 foi o mais violento da década para os povos indígenas "com o assassinato de 42 índios, quase o dobro do ocorrido no ano passado, quando 24 casos foram registrados". De acordo com o relatório, "é igualmente grave o número de índios guaranis kaiowaás e nhandevas que se suicidaram, 17 somente no Mato Grosso do Sul". Pelo levantamento do CIMI, em 1990 foram assassinados 13 índios, número que dobrou em 1991, havendo pequena queda em 1992 com 24 mortos. Já os números de 1993 foram desalentadores, segundo o estudo. Dos 42 homicídios, 29 foram cometidos por não-índios e 16 casos ocorreram entre os yanomamis, mortos por garimpeiros. Os dados do CIMI indicam que os estados mais violentos com os índios foram Amazonas e Maranhão, com cinco assassinatos em cada região. As invasões de terras, segundo o CIMI, foram a causa de 26 assassinatos. Os garimpeiros aparecem com destaque, responsabilizados por 16 mortes. Houve também uma melhoria na ação repressiva ao longo de 1993, numa tentativa de coibir a violência contra os índios, segundo avalia o CIMI. Há o registro de 11 inquéritos e dois processos referentes às mortes de mais de uma pessoa (JB).