Um dos episódios mais graves da recente história da violência praticada no Brasil-- o massacre de oito meninos na Candelária-- teve sua dimensão, dentro do quadro internacional de violência, limitado ontem pelo diretor- executivo do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência), James Grant, ao comentar o último informe daquela organização sobre a situação das crianças no mundo. Ele disse que o florescimento da democracia no Brasil "tem fortalecido muito os esforços pela proteção das crianças". A situação nos EUA hoje é bem pior do que no Brasil, afirmou Grant. "Vale a pena notar que o mundo dá grande atenção quando oito ou dez crianças são massacradas, como aconteceu no Rio de Janeiro há pouco tempo. Mas nós temos que olhar para nós mesmos, e ver que no ano passado entre seis mil e sete mil crianças, ou seja, umas 20 por dia, foram mortas a tiros nos EUA. Isso não aconteceu apenas num dia, mas o ano todo", disse o diretor- executivo do UNICEF. Ele afirmou ainda que estava satisfeito de ver que o presidente dos EUA, Bill Clinton, vem dedicando maior atenção a esse problema. E felicitou o governo brasileiro por "um progresso significativo" nessa área. "Eu diria que nos últimos três ou quatro anos o Brasil deu muito mais boas notícias para suas crianças do que nos 50 anos anteriores. O país ainda tem seus problemas. Mas há uma tendência muito mais positiva agora", comentou (O Globo).