Além do impasse na definição da Tarifa Externa Comum (TEC), o reconhecimento das Zonas Francas do Uruguai passou a ser mais um problema para os negociadores dos quatro países-membros do MERCOSUL, que terão de resolver essa questão antes de janeiro de 1995. O Brasil e a Argentina querem apenas suas Zonas Francas-- a de Manaus e a da Terra do Fogo, respectivamente-- no Mercado Comum do Sul. O governo uruguaio afirma que vai resistir a qualquer limitação imposta por brasileiros e argentinos. Para o Brasil e a Argentina, a produção de bens das Zonas Francas do Uruguai deveriam ser destinados apenas para ser comercializados fora do MERCOSUL. Caso contrário, para esses produtos teria de ser aplicado o regime de Importação de terceiros países". Na próxima cúpula entre os presidentes do MERCOSUL, Carlos Menem (Argentina) e Itamar Franco (Brasil) tentarão apenas reconhecer suas próprias Zonas Francas como as únicas do MERCOSUL, às quais, porém, não seriam aplicadas o regime em vigor de importação de terceiros países. O governo uruguaio não concorda com essa posição e quer um reconhecimento claro de sua legislação sobre esses distritos. As Zonas Francas uruguaias, estrategicamente próximas aos maiores centros de consumo do MERCOSUL, conseguiram, nos últimos anos, se desenvolver e proliferar rapidamente. As multinacionais operam praticamente livre de impostos. Brasil e Argentina temem não só a competitividade dessas ZFs como a eventual instalação de montadoras de automóveis e de fábricas de eletrodomésticos de empresas japonesas e coreanas, com prejuízo das empresas até hoje instaladas em Manaus e na Terra do Fogo (O ESP).