As crianças da Amazônia são em média dois centímetros menores do que as das demais regiões do país, em razão da desnutrição, provocada pela miséria absoluta que atinge 61,68% da população local. Esse é o resultado do livro "O Mapa da Fome", lançado ontem em Manaus (AM), que resultou de uma pesquisa de professores de áreas multidisciplinares da Universidade Federal do Amazonas. De acordo com a pesquisa, ao completar cinco anos a criança amazonense já é menor do que as outras crianças em razão da desnutrição infantil, que, na várzea do rio Negro, é de 71,2%, e na do rio Solimões, de 70%. O livro foi resultado do compromisso que os professores assumiram em março, durante a 56a. Reunião Plenária do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, em Manaus, ocasião em que o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, lançou a proposta de se chamar a atenção da sociedade para amenizar o problema da fome no país. A pesquisa aponta também soluções para o quadro atual pela análise política de abastecimento e produção do Amazonas e foi escrita pelos professores Narciso Lobo, Heloísa Lara, Deusimar Freire Brasil e Glória Maria Escalante Machado. O programa de distribuição de alimentos da prefeitura de Manaus, segundo o livro, atende 352 mil pessoas, 29,4% trabalhadores inativos e 25% sem as mínimas condições de higiene. A entrega dos alimentos à população foi qualificada como paliativo pelos pesquisadores, por não oferecer condições de alimentar uma família de cinco pessoas por mais de cinco dias. O alto custo dos produtos básicos é apontado como fator agravante da situação. Cerca de 90% dos hortifrutigranjeiros são importados das regiões Sudeste e Nordeste (JC) (O ESP).