Na reunião entre os governos do Brasil e da Argentina, concluída em Buenos Aires no último dia 21, não foi possível chegar a um acordo sobre a tarifa externa comum no MERCOSUL para bens de informática e bens de capital porque os argentinos querem uma alíquota de importação de 12% a partir de 2001 e os brasileiros insistem em uma proteção de 14% a 15%. Segundo o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Marcos Azambuja, para que o Brasil tenha vantagens preferenciais em relação a terceiros países, a Argentina está disposta a oferecer um reembolso ("reintegro") às exportações brasileiras de 10%. Depois de uma operação de exportações de bens de capital para a Argentina, o banco central argentino transferiu para o BC, no Brasil, os 10%, que seriam repassados aos exportadores, explicou. Fontes diplomáticas observaram que a negociação entre os dois países caminha para o convencimento de que uma taxa externa de 14% ou 15% é boa, para informática e bens de capital. O secretário de Comércio Exterior, Renato Marques, que coordenou as negociações sobre pendências bilaterais na área industrial e agrícola em Buenos Aires, resumiu os principais resultados da reunião: -- a Argentina deverá aplicar direitos específicos às importações de tênis, mas o produto brasileiro não seria afetado porque Buenos Aires pretende manter a margem de preferência negociada no MERCOSUL. -- O Brasil aguarda estatísticas argentinas sobre a importação de bens de capital para avaliar as perdas alegadas pelos exportadores brasileiros com a eliminação da preferência, uma vez que a tarifa de importação é zero para todos os fornecedores. -- O Brasil espera que a Argentina avise com antecedência quando for aplicar medidas restritivas fitossanitárias, para evitar problemas como a presença de caminhões nas fronteiras, com produtos perecíveis (GM).