O deputado Messias Góis (PFL-SE) disse ontem na CPI do Orçamento que grupos de parlamentares influíram na elaboração do Orçamento durante o governo Collor. Segundo ele, a maior parte das verbas dos ministérios das áreas sociais já vinha carimbada, especificando os projetos que seriam beneficiados. O deputado só não revelou quais eram os parlamentares beneficiados com as verbas. Ele citou que o projeto original do Orçamento de 1992, enviado ao Congresso Nacional pelo então presidente Fernando Collor de Mello e depois retirado para alterações pelo presidente Itamar Franco, apenas na parte do Ministério da Ação Social 56 páginas eram destinadas a projetos com verbas carimbadas. Os documentos apreendidos pela Polícia Federal na casa do deputado João Alves (sem partido-BA) complicam ainda mais sua situação e evidenciam o poder das empreiteiras sobre a Comissão Mista de Orçamento. São frequentes as referências a quatro empreiteiras: Queiroz Galvão, Norberto Odebrecht, CBPO e OAS. Uma delas relaciona obras e as dotações do Executivo, mostrando que o ex-relator da Comissão de Orçamento multiplicou esses valores até 16 vezes (O Globo) (JB).