Fazem hoje cinco anos que o líder seringueiro e ecologista Chico Mendes foi morto e 310 dias que seus assassinos estão foragidos. O fazendeiro Darly Alves da Silva, o mandante do crime, e seu filho Darci Alves Pereira, autor do tiro de escopeta que provocou mais de 40 perfurações no corpo de Francisco Alves Mendes Filho, fugiram da Penitenciária Estadual do Acre, em Rio Branco, na madrugada do dia 15 de fevereiro último, dois anos e dois meses depois da condenação de ambos a 19 anos de prisão. O ar é de indignação. Ecologistas protestam contra o descaso das polícias Federal e Civil. O ministro da Justiça, Maurício Corrêa, pressionado por entidades ambientalistas internacionais, chegou a pedir empenho máximo à Polícia Federal nas buscas dos assassinos, mas as investigações estão em ritmo lento, quase paradas. A PF recebeu a informação de que os dois estariam morando na Bolívia, na fronteira com Brasiléia (AC). "Não sabemos se eles foram ao local", comentou o deputado estadual Osmar Facundo de Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri (AC). Para Valdemir Nicássio Lima, coordenador do Comitê Chico Mendes, a polícia não está preocupada em encontrar os assassinos. "Os policiais fazem uma investigação tão sigilosa que nem eles mesmos sabem o que estão fazendo", ironiza. Passados cinco anos do assassinato do líder sindical e ecologista Chico Mendes, o Movimento de Proteção dos Povos da Floresta, que ele iniciou, também está à morte. A` época, o assassinato do ecologista desencadeou, dentro e fora do país, uma onda de protestos contra o governo e, ao mesmo tempo, outra de solidariedade em favor da luta dos seringueiros empenhados na preservação da Amazônia. Hoje, em torno do ideal de Chico resta um espólio de intrigas, histórias de ambições e, entre seus verdadeiros amigos, a frustração de saberem que os responsáveis diretamente pela sua morte estão livres da prisão, escondidos em algum lugar no Acre. Os companheiros de Chico Mendes, detentor de vários prêmios internacionais por sua luta em defesa da floresta, prometeram, enquanto seu corpo era velado, prosseguir com o movimento. Porém, a chuva de dólares que a solidariedade internacional fez desabar sobre as entidades ligadas ao movimento contribuiu mais para gerar desavenças do que para dar continuidade ao sonho de Chico Mendes. O que se seguiu à chegada da ajuda financeira aos seguidores do ecologista foi uma rede de disputas e intrigas alimentadas pela ambição. Um pequeno e recente exemplo do que restou do movimento iniciado pelo ecologista ocorreu na semana passada, quando a pequena Xapuri voltou a assistir novos distúrbios em torno da luta pelo espólio do líder. Durante dois dias, parentes e antigos companheiros do seringueiro trocaram acusações, socos e pontapés por causa de uma eleição no famoso Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, fundado por Chico Mendes (JC) (O ESP) (JB).