UNIÃO SÓ RECUPEROU 1% DO QUE A MÁFIA DO ORÇAMENTO ROUBOU

O governo federal só pôs a mão, até agora, em 1% do total de recursos desviados pela máfia do Orçamento que são, exatamente, os US$1.893.430,00 de parte do total apreendido na casa do ex-assessor do Senado Federal e ex- diretor do Orçamento da União José Carlos Alves dos Santos, além dos US$300 mil que ele havia entregue à polícia de Brasília (DF) para pagar o suposto sequestro de sua mulher, Ana Elizabeth Lofrano Alves, que morreu assassinada a mando dele. Ainda assim, não é definitiva a posse dos dólares, que ficarão depositados no Banco Central até que decisão judicial indique o destino dos recursos: a Fazenda Nacional ou os filhos do ex-assessor do Senado que denunciou o esquema de corrupção montado no Congresso Nacional pelo deputado federal João Alves (sem partido-BA) e confessou ser dinheiro de propina. O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento, deputado federal Roberto Magalhães (PFL-PE), tem pouca esperança da recuperação de todo o dinheiro perdido-- só a Subcomissão de Subvenções Sociais estima um desvio de US$200 milhões dos US$643 milhões repassados a entidades assistenciais nos últimos anos, com base no cálculo preliminar de que um terço do dinheiro escorreu para as contas pessoais de parlamentares, seus parentes ou prepostos. Até o início do mês, foi comprovado o desvio de US$50 milhões em US$168 milhões analisados. "É muito difícil reaver as subvenções pagas porque a maioria das entidades que recebeu dinheiro não possui bens suficientes para cobrir o rombo", afirma Magalhães. "O mais importante não é buscar o que se perdeu, mas parar com a sangria dos cofres públicos", raciocina o deputado (JB).