CRISE TRANSFORMA MULHER EM CHEFE DE FAMÍLIA

A crise econômica e o desemprego estão levando um número cada vez maior de mulheres a assumir a posição de chefe de família. Nos 38 municípios da Região Metropolitana de São Paulo, onde vivem 15 milhões de pessoas, metade da população do estado, uma em cada cinco famílias já tem como chefe uma mulher. Embora as chefes de família sejam encontradas em todas as camadas sociais, a grande maioria das mulheres que assumiram o comando da casa vivem em situação de miséria, criando os filhos sem acesso à cidadania, num cruel mecanismo de perpetuação da pobreza que se revela o mais crítico dentro da estrutura social paulista. Essa é uma das principais conclusões do estudo "Famílias chefiadas por mulheres" que a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (SEADE) está preparando com base na Pesquisa de Condições de Vida da Região Metropolitana de São Paulo, concluída este ano. O estudo mostra que entre as famílias miseráveis a porcentagem de mulheres como chefes de família é ainda maior (25%) e que são os seus membros que enfrentam os maiores problemas de sobrevivência. O principal objetivo do trabalho, ainda em fase de tabulação e análise, foi estudar as famílias que os técnicos da Fundação SEADE classificaram como integrantes do grupo D. Esse segmento, o mais desfavorecido socialmente, incorpora os 22,6% das famílias da Região Metropolitana consideradas carentes em pelo menos três das cinco avaliações de condição de vida-- emprego, habitação, educação, saúde e rendimentos-- levantadas pela pesquisa. Exatamente metade desse grupo-- 11,3% das famílias-- são carentes em tudo, vivendo em situação de extrema precaridade (JB).