Pesquisa da Universidade Nacional de Assunción revela que 66,3% das famílias paraguaias estão no nível de pobreza das quais 47,1% ultrapassam a fronteira da indigência. Percentuais que se agravam se considerada apenas a região rural: 84,7% e 70,8%. A face mais perversa da situação: em 1980, os percentuais eram de 66,8% e 37,5%. Quer dizer: manteve-se, praticamente, o nível de pobres e se elevou sobremaneira o de miseráveis, em 13 anos. Na América Latina, o Paraguai está à frente da Guatemala e ao lado do Peru. No Paraguai, os 10% mais ricos detêm 42% da renda nacional. Na questão, entretanto, o Paraguai não é o líder, posição que cabe ao Brasil: os 10% mais ricos ficam com 46% da riqueza produzida. A miséria rural no Paraguai tem uma explicação tão velha que se perde no tempo: começou quando o primeiro homem ergueu uma cerca para delimitar a posse de determinada terra. Além da maioria de camponeses que não terra alguma, a pesquisa revelou que 59,6% das propriedades rurais têm menos de 10 hectares, das quais 38% não chegam aos cinco hectares. Em tais propriedades a chamada produção massiva é inviável. Alta tecnologia, nem pensar-- por falta de recursos (JC).