Especialistas de vários países reunidos em São Paulo (SP) propuseram ontem a criação de um órgão internacional para facilitar a transferência de tecnologia aos países do Terceiro Mundo. A proposta foi apresentada durante o II Seminário Internacional sobre Problemas Ambientais dos Centros Urbanos (Eco Urbs 93). "Queremos que seja criado um consórcio internacional de cooperação tecnológica entre os países. A transferência de tecnologia é fundamental para que os problemas ambientais das cidades sejam amenizados ou até mesmo solucionados", afirmou o geólogo Dorival Bruni, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e presidente da Biofera, a entidade organizadora do encontro. Apesar do entusiasmo dos cerca de 1.700 participantes do encontro, os ambientalistas sabem que a regulamentação da transferência de tecnologia é um assunto polêmico. Os países desenvolvidos relutam em transferir para os pobres todo o conhecimento que dispõem, limitando-se a repassar pequenos "pacotes". O Brasil, porém, já tem grupos dedicados a esses problemas. Cientistas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), por exemplo, estão estudando um destino apropriado para o lixo produzido nas grandes cidades, um dos tormentos enfrentados pelas autoridades municipais. Uma das utilizações cogitadas é a possibilidade de usar lixo como combustível em fornos para a produção de cimento. Na Inglaterra essa técnica já vem sendo utilizada. No Brasil, isso também tem sido feito em fábricas de cimento de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná (O Globo).