Foi divulgado ontem em Washington (EUA) relatório sobre a situação de respeito aos direitos humanos no mundo, preparado pela entidade Freedom House. De acordo com o estudo, o ano de 1993 marcou o pior retrocesso para a liberdade mundial desde 1972 e a percentagem dos seres humanos vivendo em países livres chegou ao seu nível mais baixo desde 1975 (19%). Segundo a Freedom House, instituição fundada em 1941 e que vem realizando estudos anuais de avaliação do respeito aos direitos humanos no mundo desde 1955, o número de pessoas que vivem em sociedades livres diminuiu em 300 milhões este ano em comparação com 1992 e o de pessoas que vivem em países sem liberdade aumentou em 531 milhões no mesmo período. Das 190 nações analisadas pelo relatório, 55 são consideradas "não- livres". Destas, 20 foram colocadas na condição de "pior classificação possível": Afeganistão, Angola, Butão, Burma, Burundi, China, Cuba, Guiné Equatorial, Haiti, Iraque, Líbia, Coréia do Norte, Arábia Saudita, Somália, Sudão, Síria, Tadjiquistão, Turcomenistão, Uzbequistão e Vietnã. O Brasil é classificado pela Freedom House como um país "parcialmente livre". Ele teve nota três em respeito aos direitos políticos e qutro em respeito aos direitos civis (a melhor nota possível é um e a pior é sete). Com média de 3,5 também ficaram Antígua, Armênia, República Centro-Africana, Fiji, Lesoto, Nepal, Níger, Filipinas, Rússia, Seychelles, Eslováquia e Zâmbia. Os estudos sobre a situação de cada país não foram divulgados ainda. Só em março eles estarão disponíveis ao público. Mas o relatório apresentado ontem em Washington cita o Brasil como um dos exemplos do enfraquecimento da experiência democrática na América Latina, "onde a pobre performance dos políticos e o desavergonhado comportamento das elites sócio-econômicas estão erodindo a confiança da população no processo democrático". O relatório diz ainda que o Brasil está flagelado pela corrupção e pela violência policial. O embaixador do Brasil em Washington, Paulo Tarso Flecha de Lima, enviou ontem mesmo carta à presidente da Freedom House, Bette Bao Lord, na qual manifesta "profundo desapontamento" com a "maneira leviana" com que o tema dos direitos humanos foi tratado no relatório (FSP).