O ex-presidente Fernando Affonso Collor de Mello, 44 anos, só poderá ser candidato a cargo eletivo depois do ano 2000. Afastado do cargo por força de Impeachment", ele permanecerá inelegível e impedido de exercer qualquer função pública por oito anos. A cassação, imposta pelo Senado Federal no ano passado, foi confirmada ontem pelos três mais antigos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), convocados para desempatar o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre um recurso de Collor. Os ministros William Patterson, Torreão Braz e José Dantas não levaram mais de hora e meia para decidir a questão e consideraram "esperteza jurídica" a renúncia de Collor antes da cassação pelo Congresso Nacional. O resultado final ficou 7 a 4 contra o ex-presidente. A decisão o condena ao ostracismo político durante oito anos, a contar de 1992. Na prática, entretanto, ele deverá cumprir um período de 10 anos de cassação: a primeira eleição depois do fim de sua punição será em outubro de 2002, para governos estaduais e Congresso. A decisão do STJ foi proferida na véspera do quarto aniversário de sua eleição como o 36o. presidente do país. Ele foi o mais jovem ocupante do cargo. Governou de 15 de março de 1990 a 2 de outubro de 1992. O ex-presidente distribuiu uma nota, em que afirma: "Continuarei nas trincheiras da vida pública. Minha batalha está apenas no início". A seguir alguns comentários sobre a decisão do STJ: Herbert de Souza, Betinho (secretário-executivo do IBASE - Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas)-- "Agora, eu quero vê-lo preso". Barbosa Lima Sobrinho (presidente da ABI - Associação Brasileira de Imprensa)-- "Eu já esperava por essa decisão. Foi um resultado magnífico que trouxe uma grande tranquilidade para o Brasil". Jair Meneguelli (presidente da CUT - Central Única dos Trabalhadores)-- Seria doloroso para a população saber que ele poderia se reeleger. Fernando Buarque Gusmão (presidente da UNE - União Nacional dos Estudantes)-- "Felizmente, os juízes tiveram juízo". Emerson Kapaz (líder do PNBE - Pensamento Nacional das Bases Empresariais)-- "A decisão encerra um ciclo de desenvolvimento político". Gilberto Velho (antropólogo)-- "Depois de tanta demora, fez-se justiça. O Poder Judiciário escapou de se desmoralizar". Carlos Eduardo Moreira Ferreira (presidente da FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)-- "A decisão tranquiliza o país e foi a desejável". Dom Luciano Mendes de Almeida (presidente da CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)-- "A decisão responde à fundada expectativa do povo brasileiro e assegura o clima para que as apurações continuem na expectativa de um resultado justo" (JB) (FSP) (O Globo) (O ESP).