Com fome e sem condições de obter comida com os CR$2,6 mil mensais que recebem, cerca de 20 mil trabalhadores das 32 frentes produtivas em Sergipe estão consumindo palma cozida com água e sal. A palma é uma espécie de cactus encontrado na região semi-árida do sertão, usado como alimento para o gado bovino. O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Sergipe, José Félix Neto, teme que o consumo de palmas aumente, deixando o gado sem comida. "O pior é que os trabalhadores abandonam as frentes por um dia para conseguir as palmas e têm o dia de trabalho descontado", afirmou. Em Araçatuba (SP), uma pesquisa sobre os hábitos alimentares das famílias da cidade, feita pelo Centro de Estudos Econômicos Toledo, indica que 54,5% não tomam leite diariamente por causa do preço do produto. Em todas as 693 famílias pesquisadas, havia pelo menos uma criança. As mães têm substituído o leite por chá de erva-doce. O coordenador da pesquisa e diretor do centro, Pedro Filardi, disse que a alimentação básica dessas famílias, com renda mensal de até cinco salários-mínimos (CR$90 mil), é arroz e feijão. Segundo a pesquisa, 88% dos entrevistados comem arroz todos os dias, e 79,5% comem feijão diariamente (FSP).