Nos próximos 15 dias o Brasil terá que desembolsar para os credores externos 10% dos juros vencidos neste ano, ou o equivalente a US$160 milhões. Ontem, comunicado conjunto do ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, e de William Rhodes, vice-presidente do Citibank, que preside o comitê assessor de bancos, anunciou que a adesão dos credores atingiu 96,2%, permitindo que se passe à etapa de emissão de bônus. Para que o acordo prosseguisse, era necessário que os credores de no mínimo 95% da dívida concordassem com o perfil de distribuição do valor negociado entre os vários tipos de bônus oferecidos pelo Brasil. Com a ultrapassagem do limite mínimo, a resistência da família Dart em aceitar as condições negociadas com os demais credores não traz mais risco de comprometer a conclusão do acordo. Credora de aproximadamente US$1,4 bilhão ou 4% do principal da dívida, a família norte-americana Dart resiste em aceitar a troca de um percentual mínimo de 35% da dívida por bônus de desconto. Esse instrumento prevê um desconto de 35% sobre o valor do principal. Segundo o comunicado divulgado ontem, a renegociação cobre aproximadamente US$52 bilhões, entre principal e juros, devidos pelo setor público brasileiro e credores privados (FSP).