FREIRE PEDE AFASTAMENTO DA LIDERANÇA

O líder do governo na Câmara, deputado Roberto Freire (PPS-PE), comunicou ontem seu afastamento da função ao presidente Itamar Franco. Ele disse que saiu para não ser "pretexto ou bode expiatório" da equipe econômica em eventuais obstáculos à aprovação do plano do ministro Fernando Henrique Cardoso (Fazenda) e por discordar da "concepção neoliberal" do plano. Freire foi o segundo integrante do alto escalão a deixar o governo por causa do plano econômico. O primeiro foi o ex-ministro da Cultura Jerônimo Moscardo, que saiu pressionado por Fernando Henrique após criticar os cortes orçamentários previstos no plano. Freire disse que sempre teve divergências com Fernando Henrique e que "a equipe econômica volta ao neoliberalismo e à política recessiva de juros altos". Mesmo assim, prometeu votar a favor do plano. "A sociedade precisa de um plano. E o que temos é esse", afirmou. O plano de Fernando Henrique, segundo o líder do governo-- ele continua na função até que Itamar escolha o substituto--, rompeu a tendência do governo de tentar recuperar o crescimento econômico e acabar com a recessão. O deputado classificou como "leviandade" as críticas da equipe econômica à sua atuação na votação do projeto de anistia aos funcionários demitidos no governo Collor. Segundo Freire, é Idiotice" afirmar que o projeto permite a recontratação de 100 mil servidores e abre um rombo de US$2 bilhões. "Ninguém conhece os números", afirmou (FSP).