ACABA IMPASSE NO COMÉRCIO MUNDIAL

EUA e União Européia (UE, antiga Comunidade Européia) superaram ontem suas principais divergências e abriram caminho para o encerramento da Rodada Uruguai do GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio), o tratado que vai regular o comércio mundial no século 21. O acordo deve ser assinado por 117 países hoje em Genebra (Suíça). Ele pode provocar um crescimento de até US$300 bilhões anuais na economia mundial, por volta do ano 2005. As últimas divergências entre EUA e UE diziam respeito às indústrias audiovisuais e aeronáutica. Os norte-americanos cederam quanto ao cinema e TV e concordaram em deixar esse setor fora do tratado. É a chamada isenção cultural, que os europeus exigiram. Em nome da diversidade cultural, os europeus conseguiram deixar de fora da Rodada Uruguai o item do acesso a mercados de bens culturais, como a produção cinematográfica e televisionada. Segundo argumento europeu, usado sob a bandeira empunhada pela França, a posição de força dos EUA no mercado ameaçava a sobrevivência de todas as demais manifestações culturais internacionais. Por isso, a França nunca admitiu cortar suas subvenções ao cinema e ao seu audiovisual, garantindo uma produção nacional que lhe permite manter uma política de cotas que favorece a sua identidade cultural. A Europa, por sua vez, cedeu na questão dos aviões e aceitou reduzir o subsídio para o consórcio europeu Airbus. A empresa só poderá receber subsídios equivalentes a 33% do custo de fabricação de suas aeronaves. Isso vai favorecer empresas norte-americanas, principalmente a Boeing. É no setor de produtos agropecuários que a Rodada Uruguai deve ter seu maior sucesso. Praticamente todos os países desenvolvidos concordaram em reduzir suas tarifas ou cotas de importação. A UE vai reduzir gradativamente as suas tarifas em seis anos. No setor bancário e de serviços financeiros, os EUA vão manter a norma de vetar o acesso ao seu mercado a empresas de países que não permitem o acesso às norte-americanas. Na área de navegação oceânica, o acordo foi menos abrangente do que se previa e não haverá uma ampla abertura de mercado. Não é o ideal do ponto de vista do Brasil, pois fica aquém em diversos
77143 pontos, afirmou ontem, sobre as negociações da Rodada Uruguai do GATT, o chanceler brasileiro Celso Amorim. Mas, declarou que a decisão de reduzir em 21% ao longo de seis anos os subsídios dados aos produtores por governos disciplina a questão e favorece os setores da agricultura brasileira que têm preços competitivos. "Vai haver uma pequena melhora", concluiu. Para o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Pedro de Camargo Neto, "o acordo no GATT não trará benefícios para a agricultura brasileira. Os subsídios estão oficializados e, o que é pior, com a aprovação dos países em desenvolvimento", disse, referindo-se aos subsídios de que se beneficiam os produtores dos países avançados (FSP) (O ESP) (GM).