COLLOR INDICOU DOADORES PARA ELEIÇÃO

O ex-tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello, Paulo César Farias, revelou ontem a um grupo de cinco integrantes da CPI do Orçamento, que era o próprio Collor quem indicava os nomes dos empresários que deveriam ser procurados para fazer doações. Segundo PC, nas campanhas de 1989, para presidente da República, e nas eleições gerais de 1990, foram arrecadados US$170 milhões de bancos e empreiteiras. Em conversa com parlamentares, na prisão, PC deixou claro que as empresas exigem vantagens em troca de grandes somas de dinheiro. "Empresários não dão dinheiro pelos belos olhos dos políticos", disse. Ele anunciou que está preparando uma lista com os nomes dos contribuintes para entregar ao Supremo Tribunal Federal (STF) na fase final do processo por corrupção. Só a Norberto Odebrecht pagou US$3,2 milhões à Empresa de Participação e Construção (EPC), uma das principais empresas de PC. Foi a primeira vez que PC admitiu a participação direta do ex-presidente na arrecadação de dinheiro. Para o vice-presidente da CPI, deputado Odacir Klein (PMDB-RS), o depoimento de PC, no entanto, em nada contribuiu com as investigações da CPI (O ESP) (JB).