DESORDEM NO FGTS PREJUDICA 4,5 MILHÕES DE TRABALHADORES

Cerca de 4,5 milhões de trabalhadores-- 18,2% dos que trabalham com carteira assinada no país-- estão sendo lesados em suas contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), como consequência de mais de 20 anos de falta de controle sobre o fundo, que era administrado por bancos e que foi centralizado na Caixa Econômica Federal (CEF) em 1992. Uma auditoria feita por técnicos do governo, constatou que os recolhimentos feitos por 553.280 empresas, que podem chegar a US$100 milhões (CR$27 bilhões) não chegaram ou chegaram incorretamente às contas do FGTS de seus empregados. A origem do problema, segundo o relatório, foram recolhimentos feitos por empresas não acompanhados da relação dos empregados. Muitos destes casos ocorreram há mais de 10 anos e as próprias empresas têm dificuldade de relacionar os trabalhadores em cujas contas do FGTS o dinheiro deveria ser depositado. O representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Conselho Curador do FGTS, Edson Ortega Marques, disse que o problema foi detectado em 1992 e que a CEF passou a recusar recolhimentos com dados incompletos. Interromper a irregularidade não é suficiente. Nós queremos mais pressa
77125 na correção dos problemas, embora entendendo que é um trabalho difícil.
77125 É preciso restaurar a conta do trabalhador com cuidados quase
77125 individuais, explica Ortega. A CEF prometeou ao Conselho Curador que colocará a casa em ordem dentro de quatro ou cinco meses. O FGTS será submetido a nova investigação. O Conselho Curador autorizou a contratação de auditoria externa para verificar o que a Caixa cobra para administrar as contas. Entre tarifas e porcentagens, a Caixa embolsa anualmente US$500 milhões (CR$135 bilhões), o que é considerado excessivo pela CUT. Segundo Ortega, a Caixa recebe por um serviço de luxo e fornece atendimento de terceira. Segundo relatório, 3.032.225 empresas são cadastradas no FGTS. Dessas, 553.280 cometeram irregularidades nos recolhimentos mensais, o que representa 4,5 milhões dos 25 milhões de trabalhadores brasileiros prejudicados pelas seguintes manobras: 99.431 empresas recolheram o FGTS mas o nome do trabalhador não foi sequer cadastrado e 453.849 empresas recolheram o FGTS mas o dinheiro não foi parar corretamente na conta do trabalhador (O Dia).