A Argentina resolveu conceder uma preferência de 10% nas importações de bens de capital e de informática provenientes do Brasil a partir de 1o. de janeiro de 1995. Atende, assim, a uma reivindicação do governo brasileiro de repor parte da preferência perdida nas negociações da tarifa externa comum do MERCOSUL. A informação, de fontes oficiais argentinas, foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Ele observou que a preferência de 10% "foi indicativamente colocada" e o Brasil vê essa oferta como "uma coisa positiva". A indústria brasileira deverá ser ouvida além dos outros dois sócios do MERCOSUL, Paraguai e Uruguai. As autoridades argentinas esclarecem que a preferência de 10% será concedida através de um desconto na tarifa de importação ou de um reintegro monetário (devolução em dinheiro). Na opinião das fontes diplomáticas argentinas, essa medida deixará o exportador brasileiro competitivo. Esse acordo, decidido na reunião dos dois governos no último dia 10, em São Paulo (SP), deverá ser sacramentado na próxima semana, em Buenos Aires (Argentina), no encontro entre o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Winston Fritsch, e o vice-ministro da Economia da Argentina, Carlos Sanchez. O acordo dos dois países será apresentado em meados de janeiro na reunião do Grupo Mercado Comum e dos presidentes do MERCOSUL. Com os entendimentos alcançados entre os dois países, está praticamente fechada a negociação da tarifa externa comum. Fica assim definido que somente em 2001 haverá uma tarifa externa comum para bens de informática e de capital. Com relação à tarifa externa comum para 85% dos produtos intercambiados, na faixa tarifária de zero a 20%, já existe acordo entre os quatro países. Falta agora um entendimento do Brasil e da Argentina com o Paraguai e o Uruguai na parte relacionada com os dois produtos especiais. Pelo acordo, a Argentina, que exporta bens de capital ao Brasil, gozaria também de uma preferência de 10% (GM).