A INTERNET AO ALCANCE DE QUASE TODOS

A Internet, maior rede de informações do mundo científico-micreiro, está ficando famosa. Desde que o presidente dos EUA, Bill Clinton, proclamou sua idéia de criar uma "Super Highway" informata, a "Net", como é conhecida pelos íntimos, ganhou as manchetes. A revista "Times", na sua edição do último dia seis, a descreve como "uma freeway eletrônica anárquica, que cresceu incontrolavelmente e agora circunda o globo". A "Newsweek" vai mais longe: para seus redatores, não há mais chances de uma completa vida profissional-sentimental-afetiva-prática fora das redes. Vivendo seu momento de glória, a Net, que nasceu em meados dos anos 80-- a partir de conceitos que foram se desenvolvendo lentamente em fins dos anos 60 e durante toda a década dos 70-- vive, também, seu momento de maior congestionamento. Todos querem saber o que é a Internet, participar, ter acesso às mais de cinco mil conferências, à chance de se comunicar com um número incerto de usuários-- que, pelas últimas e precárias contas, pode chegar, mundo afora, aos 20 milhões de pessoas. É muita gente? Com certeza. Mas ainda é pouco em comparação com o que poderia ser, caso o acesso à Net fosse amplo e irrestrito. No Brasil, ela funciona basicamente como rede para ligação de pesquisadores e bancos de informações; mas não é, como muitos pensam, um privilégio restrito a professores e/ou portadores de títulos imponentes. Neófilos também são bem-vindos, garante Fernando Peregrino, superintendente da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro), um dos órgãos responsáveis pela organização e acesso à rede no Rio: "O acesso tem que ser limitado. Quando alguém entra na Internet, dependendo da permissão, pode se conectar até com supercomputadores, via modestos XTs", diz. Além do acesso a bases de dados, a Internet oferece, aqui, outros dois serviços. Um é o correio eletrônico, que liga todos os nós do Rio entre si, e daqui fala, por satélite, com um supercomputador da Universidade de San Diego, na Califórnia (EUA). A conta do transponder (canal de satélite) é paga pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), responsável pela emissão do sinal até a estação de retransmissão. O outro é o de acesso remoto a máquinas de instituições de pesquisa. Nesses casos, os mecanismos de segurança podem ser desativados para pesquisadores de idoneidade reconhecida. Instituições de ensino ou pesquisa que queiram participar da Internet devem informar à FAPERJ o seu perfil, as justificativas, sua capacitação em termos de hardware e software, e a equipe designada para gerenciar a rede (três ou quatro pessoas), além de metas e cronogramas, que serão devidamente acompanhados e avaliados. A Fundação paga a conta de utilização da rede, algo em torno de US$500 por instituição. Não interessa à FAPERJ o número de terminais ligados num mesmo nó: o custo é fixo e independe da frequência dos acessos. Para instituições públicas, a FAPERJ dá um roteador, equipamento necessário para o teleprocessamento, com custo entre US$3 mil e US$5 mil. Além da autorização direta pela FAPERJ, as instituições de pesquisa ligadas à Internet podem conceder senhas de acesso temporárias a pessoas que justifiquem sua necessidade. Nesses casos, é fundamental que o objetivo seja estritamente o de pesquisa científica, inerente à própria definição da rede (O Globo).