O Movimento pela Ética na Política voltou ontem às ruas, desta vez para protestar contra o impasse do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a cassação dos direitos políticos do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Na orla marítima do Rio de Janeiro (capital), cerca de 400 pessoas acompanharam a passeata. Num dos carros que abria a passeata, participantes vestidos de Paulo César Farias, Collor, além de seis anões, dançavam dentro das grades, ao som da marchinha "Xilindró Tailandês"-- "PC, PC, Chega pra lá/Arranja uma vaguinha que o Collor vai entrar". Em cima do carro de som, quatro rapazes fantasiados de marajás representavam os quatro juízes do Supremo que votaram a favor de Collor. Segundo a direção do Movimento, estes seriam os "príncipes encantados" a que se referiu o senador José Paulo Bisol (PSB-RS), afirmando que os ministros do STF estariam fora da realidade. Em duas gigantescas caixas de sabão em pó denominadas "Limpeza Brasil", seguiam participantes fantasiados de ratazanas, denominados "João Ratoalves", "José Sarneyrato", "Ratocardo Fiúza" e "Generato Corrêa". A passeata do Movimento pela Ética na Política foi organizada pelos sindicatos dos Bancários, Metalúrgicos, Telefônicos e Radialistas, além do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE). A maioria dos paulistanos quer a punição do ex-presidente Collor, segundo pesquisa da Toledo e Associados, feita com 480 pessoas. Para 68,3%, Collor deve ser preso por ligação com o "esquema PC". Apenas 8,8% o defenderam (O Dia) (O ESP).