PASSARINHO RELATOU TORTURA A MÉDICI

Em oito de março de 1971, durante o período mais duro do regime militar, o então ministro da Educação, Jarbas Passarinho, datilografou e enviou uma carta confidencial ao presidente da República, Emílio Garrastazu Médici. O tema era a tortura no Brasil. Na correspondência, Passarinho reconhece a existência dessa prática nas prisões políticas do país e relata alguns casos de seu conhecimento, mas afirma saber que eram fatos que aconteciam sem a aprovação do presidente. Passarinho (hoje senador pelo PPR-PA e presidente da CPI do Orçamento) escreveu a carta como comentário a notícias veiculadas em jornais do exterior sobre a tortura no Brasil. Um dos textos, anexado à correspondência, afirmava que os militares brasileiros haviam superado o governo grego da época em relação a essa prática. O então ministro admite "a existência de fatos isolados" porque, segundo ele, "negar o óbvio seria infame". Um documento confidencial do Ministério da Marinha encaminhado ao ministro da Justiça, Maurício Corrêa, mostra que diversas pessoas tidas como desaparecidas políticas foram mortas meses depois de terem sido presas pelos órgãos de repressão do regime militar. O documento mostra que a Marinha tinha informações sobre uma possível atuação da CIA (a agência de informações dos EUA) na repressão política no Brasil e que militares brasileiros chegaram a fazer prisões na Argentina. A maior parte das informações se refere aos militantes do PC do B, que no início dos anos 70 optaram pela guerrilha no Araguaia. As informações da Marinha complementam um relatório elaborado pelo PC do B em 1974. O Ato Institucional no. 5 faz 25 anos amanhã, no momento em que as Forças Armadas voltam a dar sinais de insatisfação com a situação econômica e política. O ato iniciou o período mais duro do regime militar. Mesmo após sua extinção, em 1978, o AI-5 permanece como símbolo da época (FSP).