O Brasil foi um dos destaques no informe anual sobre violações dos direitos humanos, divulgado ontem, em Washington (EUA), pelo Human Rights Watch, o maior grupo do setor nos EUA. "Três notórios massacres no Brasil, em 1993, exemplificam os sérios problemas de direitos humanos que continuam a infeccionar aquela nação", diz o documento. O levantamento compreende 63 países. As recentes matanças da Candelária, da favela de Vigário Geral e o massacre dos yanomamis sobressaem no relatório. Só que uma observação contida nele deixa claro que crimes como esses tornaram-se comuns no país, em especial devido à impunidade. Os três incidentes não foram aberrações mas, sim, os mais dramáticos
77094 exemplos de violência contra crianças de rua, indígenas, e assassinatos
77094 cometidos por policiais em horas de folga, diz o documento. Esses exemplos tampouco resumiram todo o panorama, na opinião do grupo de direitos humanos. Outras formas de abuso foram apontadas: a violência rural (assassinato de líderes da área), trabalho forçado na lavoura, as péssimas condições dos presídios, investigações inadequadas, além de tortura e assassinatos de suspeitos-- cometidos pela própria polícia. Muitos dos casos se caracterizaram pela impunidade oficial. Os
77094 indiciamentos foram extremamentes raros. E as execuções cometidas pela
77094 Polícia Militar e torturas feitas pela Polícia Civil foram as piores
77094 manifestações da violência policial, enfatiza um trecho do informe. Segundo o Human Rights Watch, o governo norte-americano falhou este ano por omissão: "Os EUA erraram em deixar de usar seu considerável peso para pressionar pela melhoria dos direitos humanos no Brasil durante 1993", conclui o documento. Em Paris (França), o Comitê Rio Maria (PA) foi premiado com 120 mil francos (cerca de CR$5,2 milhões) como recompensa pelo programa de prevenção da violência em zonas rurais. O prêmio foi entregue pela ministra da Ação Humanitária da França, Lucette Michaux Chevry (O Globo).