O Exército brasileiro está escondendo os seus casos de AIDS com receio de que a informação revele a presença de homossexuais na corporação. Existem 39 casos confirmados, mas o número pode ser muito maior, uma vez que os dados se referem apenas aos registros do Hospital Geral de Brasília (HGB), onde são atendidos os militares contaminados e aqueles que, em fase terminal, são colocados em isolamento. A doença é encarada como "segredo de Estado" e enfrentada com regras criadas nos gabinetes da instituição, sem controle do Ministério da Saúde. "Em todas as ocasiões em que mantivemos contato com o Exército, foi por minha iniciativa", reclama a coordenadora do Programa de Controle da AIDS do Ministério da Saúde, Lair Guerra de Macedo. A omissão afasta o Exército da discussão nacional sobre a epidemia de AIDS e mantém preconceitos atualmente rejeitados, como a devassa na vida privada dos militares contaminados. O Ministério da Saúde, responsável pela política de prevenção e controle da doença, sabe que a situação nas fileiras do Exército é tão grave como no restante do país, mas tem o acesso dificultado por causa da autonomia que a corporação insiste em manter. O Exército admite que nunca solicitou apoio ao programa da Saúde (O ESP).