A indústria madeireira está mutilando centenas de trabalhadores na Amazônia e muitos destes acidentes de trabalho vêm sendo mascarados pelas empresas, segundo denunciaram ontem os presidentes dos Sindicatos dos Trabalhadores em Madeira de Itacoatiara (AM) e do Acre, respectivamente, Militão Martins e Antônio Batista da Silva. Em apenas quatro anos, cerca de 60 trabalhadores ficaram mutilados na cidade amazonense de Itacoatiara por causa de equipamentos rudimentares utilizados pelas madeireiras. No Acre, de cada 50 trabalhadores, em média cinco deles apresentam problemas de surdez após cinco a 10 anos, em decorrência do barulho e da falta de proteção contra a poluição sonora. As máquinas mais barulhentas nas serrarias são a tupia, cuja rotação chega a 3,7 mil por minuto e a plaina de quatro faces, com rotação de 3,2 mil por minuto. Em janeiro de 1990, um acidente com uma máquina de serrar compensado matou quatro pessoas em Itacoatiara. Outras duas mortes atribuídas ao trabalho de beneficiamento de madeira teriam ocorrido na madeireira Ghetal, considerada a maior da América Latina, com 1,2 mil empregados. Há dois meses, os funcionários Maria Clara e Iranildo Silva começaram a apresentar estranhos sintomas respiratórios, definharam e morreram poucas semanas depois. Muitas doenças pulmonares também são registradas entre os trabalhadores do setor, em decorrência da poeira produzida pela serragem (JB).