O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, articulador nacional da Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida e secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), atacou ontem o plano de estabilização econômica anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Para Betinho, o plano é "fora da realidade e dos interesses do Brasil e do Congresso". Ele também criticou decisão dos secretários estaduais de Fazenda de aumentar a alíquota de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre as cestas básicas. "Uma medida que vai contra a vontade do país de resolver o problema da fome e da miséria", disse. Para o sociólogo, o plano não deve ser aprovado pelo Congresso Nacional. Qual parlamentar vai aprovar aumento de impostos num ano de eleições, e
77085 mais, quais governadores aceitarão repassar recursos estaduais para o
77085 governo federal?, questionou. Segundo ele, o plano não está levando em conta as prioridades da fome e da miséria, "só está pensando no déficit do governo". Para Betinho, o governo poderia até "dobrar o déficit público, se isso representar o fim da miséria e do desemprego". Depois, concluiu: "Cortar gastos do governo significa recessão e desemprego". Betinho lembrou que a saída dos EUA para a depressão de 1929 foi a participação do Estado em investimentos e aquecendo a economia. "Vamos lançar Roosevelt para 94", disse em tom de ironia. Ele ainda criticou a posição do ministro da Fazenda de não querer rever as demissões de funcionários públicos durante o governo Collor. "Se foram cometidas injustiças nas demissões, elas devem ser revistas, o argumento contábil do ministro Fernando Henrique não é válido", afirmou (O ESP).