O Brasil deve desembolsar no ano que vem, ao exterior, cerca de US$16,5 bilhões envolvendo pagamentos de juros e de amortizações contratados junto a vários credores de compromissos externos. Esse valor não está considerando o acordo de reestruturação da dívida externa com os bancos credores privados, pelo qual se pagarão taxas de juros fixas mais elevadas do que as taxas atuais da "libor" (praticada no interbancário de Londres), que rege o acordo negociado em 1988. Além dos juros do mercado externo terem sido consideravelmente reduzidos nos últimos dois anos-- a "libor" para depósitos de seis meses em dólar caiu de 4,21% em janeiro de 1992 para algo em torno de 3,4%--, o país vem desembolsando apenas 50% dos juros devidos aos bancos credores privados internacionais. Assim que o acordo da dívida externa for implementado, até 15 de abril de 1994, os desembolsos com juros externos devem pesar um pouco mais não apenas porque o nível mais baixo é de 4% ao ano, mas também porque o país voltará a pagar a integridade dos juros devidos. Há, ainda, gastos com importação e com os demais itens da balança de serviços relativos a gastos com transportes, seguros, viagens internacionais, além de remessa de lucros e dividendos. Só no primeiro semestre deste ano, o país gastou cerca de US$5 bilhões com despesas de serviços sem incluir os juros. Todos esses pagamentos foram mais do que cobertos com o substancial volume de recursos externos que tem ingressado pela via das exportações e pela via de captação no mercado internacional. Os ingressos foram suficientes para pagar os compromissos externos, além das importações e dos serviços e, mais do que isto, ajudaram a engrossar nos últimos 12 meses em cerca de US$5 bilhões o saldo das reservas internacionais do país. O nível pulou de US$23,7 bilhões para cerca de US$28 bilhões (GM).