O impasse entre os governos do Brasil e da Argentina sobre as tarifas externas comuns no MERCOSUL continua, conforme mostrou a reunião realizada ontem, em São Paulo (capital), entre os ministros da área econômica dos dois países, Fernando Henrique Cardoso e Domingo Cavallo. O assunto voltará a ser discutido com representantes do Uruguai e do Paraguai, que compõem o MERCOSUL, no dia 22, em Buenos Aires. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que discutiu o problema com o chanceler argentino, Guido di Tella, a Tarifa Externa Comum foi tratada "de uma maneira melhor" no encontro de ontem, mas não se chegou a nenhuma conclusão. Outro ponto importante da pauta de ontem, segundo Amorim, foi o problema surgido com o avanço das relações comerciais entre os dois países. Três anos atrás, o fluxo do comércio bilateral era de US$1,5 bilhão, enquanto este ano deverá ficar em torno dos US$6 bilhões. Essa expansão dos negócios provocou, segundo o chanceler brasileiro, fricções que precisam de ajustes. Para isso, os dois governos aprovaram a criação de uma comissão comercial-econômica, que terá o papel de mediadora de eventuais conflitos, com um trabalho de caráter preventivo, evitando o surgimento de medidas anti-dumping ou salvaguardas. Além de acelerar a integração. Tanto Domingo Cavallo como Guido di Tella enfatizaram que a Argentina tem como prioridade a parceria com o Brasil no MERCOSUL, desmentindo que o NAFTA seja agora a maior meta comercial dos argentinos. Cavallo disse que a Argentina e Brasil precisam acertar suas pendências, assim como com Paragual, para que o MERCOSUL seja fortalecido e, com isso, todos os seus integrantes tenham mais condições de participar de outros mercados, como o próprio NAFTA. Para Cavallo, o Brasil é o melhor mercado, tendo condições de incrementar, com uma economia estabilizada, o comércio com a Argentina. Este ano, a Argentina deve exportar entre US$2,7 bilhões e US$2,8 bilhões e importar US$3 bilhões. O Brasil já chegou a ter um superávit de US$1 bilhão no comércio com os argentinos. O ministro Fernando Henrique Cardoso disse que o Brasil, a exemplo da Argentina, tem interesse no NAFTA, mas que concentrará esforços para ampliar a parceria com os outros países do MERCOSUL. Nesse momento, segundo ele, é importante definir um acordo que não seja prejudicial nem a industriais brasileiros nem a industriais argentinos (JC) (GM).