CPI DO ENDIVIDAMENTO RURAL É CONCLUÍDA

A cobrança de correção monetária nos empréstimos agrícolas provocou a transferência de US$5,7 bilhões-- nos últimos três anos-- do setor agropecuário para os bancos, e nada menos que US$20 bilhões quando computadas as perdas financeiras provocadas pelos planos econômicos dos últimos anos. Esta é a conclusão a que chegou a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do endividamento rural, cujo relatório foi aprovado ontem, indicando a expressiva obtenção de lucros da rede bancária ao aplicar recursos dos depósitos à vista-- sobre os quais não paga juros nem correção monetária-- no crédito rural. Os bancos também ganharam com a defasagem entre a posição dos depósitos à vista e o cálculo de exigências junto ao Banco do Brasil, com desvalorização média de 30% do valor original. Diferença que foi desviada do crédito rural para o mercado financeiro, aumentando os lucros dos agentes, conforme o relatório. A CPI concluiu que o endividamento rural deve-se, principalmente, aos altos custos dos empréstimos bancários e às dívidas com fornecedores de insumos e prestadores de serviços. Isso é constatado na drástica redução do volume de recursos para o crédito rural, que caiu de US$18 bilhões para US$5 bilhões em apenas 15 anos, aliada à elevação dos custos de produção (JC).