Tentativas de proteger liderados, parentes e correligionários ameaçam enfraquecer e esvaziar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento. Desde a divulgação, semana passada, de documentos da construtora Norberto Odebrecht nos quais se demonstra a ligação entre parlamentares e empreiteiras na negociação de verbas orçamentárias, a CPI não consegue avançar nas investigações. Não foi possível marcar data para o depoimento do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), convocar o líder do PPR, José Luís Maia (PI), nem quebrar o sigilo bancário da deputada Roseana Sarney (PFL-MA). "É óbvio que estão querendo selecionar as pessoas", afirma o deputado Sigmaringa Seixas (PSDB- DF), coordenador da subcomissão de emendas. "Há uma nítica campanha de desestabilizar a CPI", denuncia o relator, deputado Roberto Magalhães (PFL-PE). A idéia de Magalhães de divulgar um relatório parcial para dar uma primeira satisfação à opinião pública praticamente paralisou os trabalhos da CPI, diante da intensificação de manobras com vistas a excluir nomes desse primeiro "listão". "Chegamos ao ponto mais crítico", reconhecem o presidente da CPI e o vice, senador Jarbas Passarinho (PPR-PA) e deputado Odacir Klein (PMDB-RS). A mesa da CPI está sofrendo pressões, principalmente do PMDB e PFL, para que haja apenas um relatório no fim das investigações. O clima de alta tensão levou ontem Passarinho a expulsar aos berros da sala da CPI o deputado Aníbal Teixeira (PTB-MG). Teixeira xingou os membros da comissão, a quem responsabilizava pelo vazamento de informações sobre seus extratos de cartão de crédito (JB) (O Globo).