O empresário Calim Eid, articulador político do prefeito de São Paulo (SP), Paulo Maluf (PPR), confessou ontem à Polícia Federal que coordenou o esquema Paubrasil. Ele admitiu ter comandado pessoalmente as campanhas eleitorais do PDS e do PPR em 1990 e 1992 e cuidado da parte financeira. Eid disse ter autorizado o pianista João Carlos Martins a fazer a arrecadação de recursos de pessoas físicas e jurídicas. Martins é proprietário da Paubrasil Engenharia e Montagens, empresa utilizada para captar contribuições de pelo menos 46 empreiteiras e indústrias, num total de cerca de US$19 milhões. Foi o segundo depoimento de Eid no inquérito. Da primeira vez, em agosto, o empresário havia negado qualquer envolvimento com o esquema, afirmando que se encarregara apenas da "coordenação política". Ontem, ele se retratou. "Eu não queria revelar o esquema. Todo mundo sabia que a arrecadação era ilegal, e eu não ia ser o primeiro a contar", confessou. A PF e a Procuradoria-Geral da República entendem que a confissão faz parte de uma "estratégia política" para tentar livrar Maluf de eventual ação penal. Eid procurou inocentar o prefeito. "Ele desconhecia por completo a origem dos recursos", sustentou. "Maluf não estava interessado nisso, ele estava atrás de votos". Segundo pesquisa do Banco Central, o próprio Calim Eid foi beneficiário do esquema Paubrasil. Ele admitiu ter recebido pelo menos três cheques da empresa, no valor total de US$129,5 mil (O ESP) (FSP).