SINDICALISTAS E EMPRESÁRIOS COMENTAM O PLANO ECONÔMICO

Sindicalistas e empresários comentaram ontem as medidas propostas pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, ao anunciar seu plano de estabilização econômica. A seguir alguns comentários: Francisco Canindé Pegado (presidente da Central Geral dos Trabalhadores- CGT)-- "Não posso concordar com o plano agora. O corte linear nos orçamentos dos ministérios é discutível: ministérios sociais não podem sofrer cortes de verbas". Luiz Antônio de Medeiros (presidente da Força Sindical)-- "Peço um voto de confiança ao plano, embora faça restrições à elevação dos impostos em 5%. O pacote é bom por não causar sobressaltos". Jair Meneguelli (presidente da Central Única dos Trabalhadores-CUT)-- "O plano significa mais chumbo sobre o trabalhador. Tudo o que propusemos ao governo ficou de fora: o combate à sonegação, a cobrança progressiva de impostos e a taxação de fortunas. O que apareceu foi aumento linear de impostos, que prejudica os mais pobres, cortes nos orçamentos, que podem se refletir nos salários do funcionalismo e nos investimentos sociais, e indefinições sobre o futuro dos salários e dos preços". Carlos Eduardo Ferreira (presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo-FIESP)-- "A FIESP vai trabalhar no sentido de aperfeiçoar o plano econômico. Considero um sinal positivo e todos devem apoiá-lo. Mas o aumento de impostos é inflacionário e a inflação é o imposto maior que a sociedade paga". Abram Szajman (presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo-FECESP)-- "Trata-se de um processo de longo prazo, mas a partida é a aprovação do corte nos gastos públicos. A URV é uma questão de tempo. O plano exigirá muita vontade política". Antônio Ermírio de Moraes (presidente do grupo Votorantim)-- "O aumento da carga tributária é uma pancada no setor produtivo e coloca o país sob o risco de se transformar em um grande Paraguai, onde todo mundo faz comércio mas ninguém produz nada". Emerson Kapaz (presidente do Pensamento Nacional das Bases Empresariais- PNBE)-- "O ministro comprou uma briga com vários setores da sociedade ao anunciar um aumento de impostos sem antes discutir uma reforma tributária. O aumento da arrecadação só vai vir mediante uma reforma tributária e o combate à sonegação". Albano Franco (presidente da Confederação Nacional da Indústria-CNI)-- "O plano é positivo em vários aspectos. Mas tenho dúvidas quanto à necessidade de aumentar a carga tributária" (O ESP) (FSP).