EMPRESÁRIOS DISCUTEM ADIAMENTO DO MERCOSUL

O adiamento do calendário do MERCOSUL, previsto para 1o. de janeiro de 1995, foi proposto novamente ontem em Porto Alegre (RS) por representantes da indústria da Argentina, durante a primeira reunião plenária do Conselho Industrial do MERCOSUL, realizada na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS). O argumento é de que as assimetrias econômica entre o Brasil e a Argentina proporcionam vantagens aos brasileiros no comércio entre os dois países. Jorge Gaibisso, da União Industrial Argentina, disse que nos dois últimos anos os custos com matérias-primas ficaram estabilizados em seu país: os salários, entretanto, foram aumentados em mais de 50%, o que incide de forma direta sobre a matriz industrial argentina e elimina os ganhos de produtividade. "No Brasil, a alta inflação acaba por favorecer os custos de produção da indústria", acrescentou o empresário. Dagoberto Lima Godoy, presidente da FIERGS, disse que a proposta argentina será levada a discussão no âmbito da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Afirmou que, apesar das discrepâncias entre os dois países, na medida em que o Brasil defende a manutenção do calendário estabelecido pelo MERCOSUL, "vamos buscar o consenso, o que é fundamental para as tratativas governamentais". O Conselho Industrial do MERCOSUL aprovou um sistema regular de troca de informações sobre a realidade econômica dos países-membros, ficando definidos os primeiros temas prioritários: custos financeiros das atividades produtivas; custos salariais diretos e indiretos e proteção do registro de marcas através da adoção de princípio de anterioridade. A segunda reunião plenária do Conselho será realizada no dia 27 de janeiro de 1994, em Buenos Aires, dando início ao calendário fixado na reunião de, no mínimo, quatro reuniões anuais (GM).