GESTÃO COOPERATIVA DOS RECURSOS HÍDRICOS

O ministro do Meio Ambiente e da Amazônia Legal, Rubens Ricúpero, defendeu ontem, durante a abertura do I Simpósio Internacional sobre os Aspectos Ambientais da Bacia do Prata, que termina depois de amanhã em Foz do Iguaçu (PR), a "gestão cooperativa", por todos os setores interessados, dos recursos hídricos. Segundo ele, a água não é um recurso que deva ser administrado apenas pelos setores de produção de energia elétrica, mas também por aqueles ligados ao saneamento básico, transporte e irrigação, entre outros. "A Lei de Recursos Hídricos, em análise no Congresso Nacional, pode dar legitimidade à tese defendida pelo ministro", comentou o biólogo José Roberto Borghetti, um dos 60 cientistas e pesquisadores dos cinco países participantes do simpósio (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia). O ministro do Meio Ambiente falou ainda sobre as ameaças às águas da Bacia do Prata, a terceira maior do mundo, com 3,107 milhões de quilômetros quadrados. Ricúpero frisou especialmente o despejo de esgotos sem tratamento, a contaminação pelos agrotóxicos e o desmatamento. Também citou um documento da Organização das Nações Unidas (ONU), que alerta para a gravidade da escassez de água no mundo. Segundo o ministro, há atualmente uma grande discussão na Costa Oeste norte-americana, onde é cada vez maior a dificuldade para se obter água. O vice-presidente do Instituto Acqua, um dos promotores do simpósio, Haroldo Mattos de Lemos, afirmou que o tema "Bacia do Prata" foi escolhido porque, com o movimento comercial gerado pela criação do MERCOSUL, aumentam os riscos ambientais para a região. Uma proposta obteve unanimidade desde ontem: a criação de um Centro de Estudos Ambientais da Bacia do Prata, principalmente para estimular a cooperação não só entre os governos, mas entre técnicos e institutos especializados (GM).