O governo argentino iniciou ontem uma investigação sobre a venda de 1,4 milhão de toneladas de trigo canadense ao Brasil, que teria recebido o apoio de subsídios. O chanceler Guido Di Tella solicitou ao embaixador no Brasil, Alietto Guadagni, que descubra se a operação recebeu subvenções diretas ou indiretas do governo canadense. A investigação argentina se baseia no fato de que o Canadá ofereceu ao Brasil um preço de US$106 por tonelada, enquanto para outros países latino-americanos os valores oferecidos foram de US$150 a tonelada. Entretanto, o preço de exportação do trigo argentino oscila atualmente entre os US$120 e US$127 por tonelada. A Argentina é o principal abastecedor de trigo do Brasil, seu sócio no MERCOSUL, ao qual vende dois milhões de toneladas por ano. A operação agora investigada coloca o Canadá no segundo lugar entre as fontes utilizadas pelo Brasil para abastecer-se do grão, quando até 1992 ocupava o quarto lugar. Canadá, Brasil e Argentina integram o Grupo de Cairns, formado por 14 países que defendem o livre acesso aos mercados internacionais e a eliminação dos subsídios à produção e venda de produtos agrícolas. No entanto, o Departamento de Agricultura dos EUA garante que o governo canadense gasta US$2 bilhões por ano em subvenções ao trigo (US$1,3 bilhão em apoio aos produtores e US$700 milhões para reduzir o preço dos fretes). Qualquer acordo agrícola baseado nas regras do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT) deve elevar os preços do trigo para as nações mais pobres, de acordo com declarações de delegados do Conselho Internacional do Trigo (IWC), em Londres (Inglaterra). No entanto, um fracasso nas conversações dentro da Rodada Uruguai poderá acirrar ainda mais a batalha por uma parte do mercado mundial, conduzindo a uma queda maior nos preços internacionais para os produtores (JC) (GM).