PATAXÓS FAZEM 15 REFÉNS NO SUL DA BAHIA

O presidente da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Dinarte de Madeiros, enviou ontem uma equipe de funcionários ao sul da Bahia, região dos índios pataxós, que no último dia cinco retomaram três fazendas localizadas em seu território e tomaram 15 pessoas como reféns. Cerca de 98 índios exigem negociar com a FUNAI em Brasília (DF), sob proteção da Polícia Federal, para a libertação dos reféns, entre os quais o fazendeiro Aristides Couto, que se diz dono da fazenda Bom Jesus, uma das ocupadas. Os pataxós estão em conflito com fazendeiros desde 1982, quando retomaram a área Paraguassu/Caramuru, ocupada pela fazenda São Lucas. Em nota divulgada ontem, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) afirma que, apesar de uma lei federal de 1926 reconhecer o direito dos pataxós sobre grande parte da região, a área foi sendo reduzida até chegar aos 1.079 hectares de hoje, insuficientes para 1.600 índios. O restante das terras foi invadido, segundo a nota, "com a conivência do extinto Serviço de Proteção ao Índio (SPI)", atual FUNAI. Com isso, os pataxós ficam impossibilitados de plantar e são obrigados a usar água de uma fazenda vizinha. "O fazendeiro ameaça pôr veneno no açude", denuncia a nota. Nesses 11 anos, 11 pataxós foram assassinados, sete baleados, 48 espancados, e 40 índios morreram por falta de assistência (JB).