O programa econômico que o ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, anuncia hoje será recessivo no primeiro momento e seu sucesso dependerá da aprovação do ajuste fiscal pelo Congresso Nacional. Esta foi a conclusão a que chegaram ontem os líderes sindicais depois de mais de duas horas de reunião, em São Paulo (SP), com o ministro. "Se o ajuste fiscal não for aprovado não haverá a segunda fase do plano", disse o presidente da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros. O ministro reuniu os sindicalistas para buscar apoio ao plano, mas a reação não foi favorável. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Jair Meneguelli, disse que o programa só tem duas medidas concretas: aumento de imposto e "garfada" nos fundos sociais. Meneguelli e Medeiros criticaram a decisão de incluir entre os recursos que serão bloqueados por dois anos parte da receita do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). O ministro Cardoso "falou do ajuste, do novo índice, mas não foi claro quanto à nova política salarial", reclamou o presidente da Central Geral dos Trabalhadores (CGT), Francisco Canindé Pegado. "Em todos os planos os salários foram reajustados pela média; o ministro não foi claro sobre o que acontecerá no setor privado", disse Meneguelli, acrescentando que, no caso do setor público, os salários serão reajustados pela média (O ESP).