DIRETOR DA ODEBRECHT NEGA TER PAGO PROPINAS

O diretor da Construtora Norberto Odebrecht em Brasília (DF), Ailton Reis, negou ontem, em depoimento à CPI do Orçamento, que a empreiteira pagasse propinas a parlamentares em troca de ajuda na aprovação de emendas. Jamais efetivei qualquer pagamento a quem quer que seja. Ele afirmou que os percentuais que aparecem ao lado de nomes de parlamentares em documentos apreendidos pela Polícia Federal em sua casa significavam estimativas para investimento nas campanhas eleitorais do ano que vem. Não tem a ver com qualquer tipo de pagamento de propina, são situações
76997 teóricas, de futurologia política, afirmou, acrescentando que a Odebrecht tinha a intenção de aplicar US$12 milhões nas campanhas. A avaliação era feita, segundo ele, sem conhecimento dos parlamentares. "Era apenas rascunho, que nada tem a ver com o valor de emendas aprovadas". Nos documentos, 16 parlamentares aparecem com percentuais anotados ao lado de seus nomes. Dez tiveram o sigilo quebrado pela CPI. "Peço duas mil desculpas a esses parlamentares", disse. Infelizmente a lista vazou", lamentou o diretor, que tentou tirar qualquer responsabilidade da Odebrecht. Explicou que os percentuais variam de 0,27% a 5% e que a lista foi feita em abril de 1992. O relator da CPI, deputado Roberto Magalhães (PFL-PE), deixou claro que não ficara convencido com as declarações. "Os parlamentares contemplados com as suas previsões fariam a campanha mais estrondosa da história da República", contestou o deputado Vivaldo Barbosa (PDT-RJ). O diretor justificou o sofisticado esquema montado pela empreiteira para acompanhar a liberação de recursos públicos: "É uma ação legítima e essencial para lidar com o permanente estado de inadimplência e calote com que se defrontam aqueles que trabalham com o setor público" (O ESP).