O governo não tem como financiar a agricultura. Ao contrário, a cada safra diminui o fluxo de crédito rural oficial. Para se ter uma idéia do quadro, da safra de 1988 à de 1991/92, os recursos ofertados forma decrescendo, chegando a quase a metade do total liberado em 1988. Os números comprovam: em 88, US$5,496 bilhões; em 91, US$2,958 bilhões. No intervalo, quatro outros fatores repercutiram negativamente na produção agrícola. O Plano Collor, que corrigiu em 45% a caderneta de poupança rural, contra 74,6% de inflação, o que custou à agricultura um prejuízo em torno de US$1,5 bilhão; promessa não cumprida de recursos fartos para a safra 1990/91, induzindo as cooperativas a fazer adiantamento de financiamento sem lastro a seus associados; quebra da safra 1990/91 por fatores climáticos; e atraso nas linhas de crédito para financiar a safra 1991/92. A agricultura brasileira sempre dependeu do Estado, destaca Rui Vaz, secretário de Desenvolvimento Rural do Ministério da Agricultura. "Essa dependência tradicionalmente traz sérias complicações para o setor, uma vez que a liberação de recursos para custeio e financiamento agrícola está subordinada à política econômica do governo, em particular à política monetária", disse. O gerente do Programa de Apoio ao Cooperativismo de Crédito, também do Ministério da Agricultura, Adilson Araújo, salienta que o cooperativismo de crédito rural é um movimento de pequenos e médios produtores, que são a maioria no país. Estudos recentes mostram que 39,8% dos cooperadores têm áreas inferior a 10 hectares, enquanto 37% têm áreas de plantio entre 11 e 50 hectares. No balanço de 1992 foi possível verificar que o cooperativismo de crédito no país já alcança um patrimônio líquido de US$61,5 milhões e US$83,5 milhões em volume de operações de crédito (JC).