O embaixador brasileiro na Argentina, Marcos Azambuja, previu ontem, em entrevista ao jornal "Âmbito Financeiro", que a proximidade de funcionamento do MERCOSUL trará problemas, mas afirmou que o processo de integração é irreversível. Ele não especificou que tipo de problemas enfrentarão os quatro países-membros do MERCOSUL. Destacou, porém, que existem mecanismos de conciliação, como os acordos de integração de empresas do mesmo setor, auto-regulamentação e auto-restrição. O embaixador também mencionou que "um sócio jamais pode tentar prejudicar outro membro de sua sociedade", acrescentando que a hora é de "dar ênfase à integração, deixando de lado as tradicionais rivalidades". O embaixador comentou também que a Argentina tem uma situação de déficit com outros países muito mais grave que a que mantém com o Brasil, referindo-se às críticas de empresários argentinos em relação às diferenças da balança comercial entre os países. Em 1992, a Argentina teve um déficit de US$1,4 bilhão em sua relação bilateral com o Brasil. Estima-se que nos primeiros nove meses deste ano as perdas subiram em cerca de US$400 milhões. O déficit comercial com os EUA, entretanto, é de US$1,519 bilhão durante o mesmo período, segundo informações do Ministério da Economia argentino (JC).