PLANO CRIA NOVO INDEXADOR

O novo plano econômico, a ser anunciado hoje pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, criará a Unidade Real de Referência (URR) como novo indexador, que será calculado pelo Banco Central e refletirá a inflação corrente. A URR mais tarde se tornará a nova moeda do país. Não haverá quebra de contratos nem confisco da poupança e "a inflação cairá a 3% no segundo semestre", segundo garantiu o ministro. As medidas só serão adotadas depois que o Congresso Nacional aprovar o ajuste fiscal. A política salarial do funcionalismo público-- que em janeiro terá reposição-- não será alterada. No setor privado, os salários sofrerão uma conversão ao novo indexador, através de livre negociação. O governo vai propor ao Congresso emenda constitucional criando um fundo de reserva social a ser formado com 15% das transferências de recursos aos estados e municípios. O ministro propõe também a elevação de todos os impostos em 5% e vai sugerir que os tributos deixem de ser matéria constitucional. O programa de estabilização prevê a criação do cruzeiro conversível, que poderá ser trocado nos bancos por qualquer outra moeda. A vigência, contudo, não será imediata. Primeiro, o governo conta com a aprovação do ajuste fiscal; em seguida, espera que os agentes econômicos adotem o novo indexador; só então surgirá o cruzeiro conversível. O futuro indexador é que será transformado em nova moeda. A principal peça do plano econômico do ministro, porém, ainda não está pronto, que é o Orçamento sem déficit para o ano que vem. Três áreas ainda resistem aos cortes propostos pelo Ministério do Planejamento: os ministros militares, o ministro Alberto Goldmann (Transportes) e a área de Saúde. Haverá corte de 40% nos gastos de custeio dos ministério e o fim das pastas do Bem-Estar Social e da Integração Regional (JB) (O Globo) (FSP) (JC).