As crianças com idade entre 10 e 13 anos estão reduzindo sua participação no mercado de trabalho. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que em 1981, 16,2% delas eram economicamente ativas, mas em 1990 esse percentual caiu para 14,2%. Os menores da faixa etária de 14 a 17 anos tiveram mais êxito na tentativa de conseguir um emprego. Em 1981, 45,2% eram economicamente ativas e, em 1990, 46,1% estavam nessa situação. Naquele ano foi constatado que dos menores entre 10 e 14 anos, 10% trabalhavam e estudavam, 7,5% só trabalhavam, 5,1% trabalhavam em afazeres domésticos, 74,2% só estudavam, e 3,2% não estavam enquadrados em nenhuma dessas situações. Entre os menores de 15 a 17 anos, 36% dó estudavam, 20,6% só trabalhavam, 9,7% trabalhavam em afazeres domésticos e 3,1% não se enquadravam em qualquer dessas situações. De acordo com um trabalho das professoras Ana Lúcia Sabóia e Sílvia Reise Bregman, do IBGE, 1,4 milhão de brasileiros entre 10 e 14 anos estão no mercado de trabalho das grandes cidades. Em 1970, apenas 6,1% das crianças tinham alguma atividade econômica. Entre os adolescentes de 10 a 14 anos, 31,4% trabalhavam. Em 1990, as pesquisas mostraram que 11% das crianças e 45% dos adolescentes, residentes em áreas metropolitanas, já estavam engajadas em atividades econômicas. No passado, era comum relacionar o trabalho infantil com o trabalho no campo, mas esse quadro vem mudando rapidamente. Em 1980, 47,4% das crianças entre 10 e 14 anos que trabalhavam, estavam fora das atividades agrícolas e 68,2% dos adolescentes entre 14 e 19 anos também estavam engajados na mão-de-obra urbana. Do total de trabalhadores infanto-juvenil, 72% estão nas cidades. Em 1970, 77% das crianças entre 10 e 14 anos que trabalhavam no país, estavam no campo. Já em 1990, essa proporção caiu para 52,6%. De acordo com os dados das professoras do IBGE, a criança do campo ainda é três vezes mais ativa economicamente do que a urbana, mas representa uma fração cada vez menor da população economicamente ativa do país. Na década de 80, com o crescimento da pobreza nas regiões urbanas, constatou-se que 55% dos adolescentes pobres, que viviam em famílias com até meio salário-mínimo per capita, tinham de trabalhar. Entre 1980 e 1990, o número de famílias pobres que viviam nas regiões urbanas pulou de 1,4 milhão para 2,8 milhões. As crianças e adolescentes, filhos de famílias pobres, em 1988, contribuíram com 30% do orçamento familiar. O setor terciário abriga mais da metade das crianças trabalhadoras do país. Um trabalho coordenado por Tatiana Velasco, Rosane Mendonça, Ricardo Paes e Barros e José Carlos Carvalho, do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), mostra a discriminação contra os negros. Foi constatado que os pequenos trabalhadores ganham, em média, um salário-mínimo, mas levando- se em conta apenas as crianças e adolescentes negros e pardos, ganham 30% a menos do que os demais. Entre os menores de 18 anos, 37,5% tinham carteira assinada em 1988, mas o número de menores brancos com essa característica era o dobro do de menores negros. A jornada de trabalho dos menores, em média, é de 40,9 horas semanais. A do menor negro é duas horas maior. A taxa de participação das crianças na força de trabalho brasileira, em 1988, era de 21%, e a dos menores negros, 2,5% maior do que a dos brancos (O ESP).