O ex-presidente Fernando Collor de Mello disse ontem que seu sucessor, Itamar Franco, recebeu em 1989 dinheiro de Paulo César Farias, o PC, e de outros encarregados da campanha eleitoral. Collor abriu os portões da Casa da Dinda, em Brasília (DF), para um culto de Ação de Graças e afirmou que, em Minas Gerais, a campanha ficou mais cara depois que seu candidato a vice passou a coordená-la. O ex-presidente defendeu a desmistificação do uso de dinheiro em campanhas. "Não sei se as colaborações foram feitas direta ou indiretamente a Itamar, mas não vejo nada de errado nisso", afirmou. Collor reafirmou que Itamar recebeu dinheiro para financiar a campanha em Minas Gerais e disse que esconder o fato é "hipocrisia". Disse ainda que Itamar mantinha contatos com PC. O Supremo Tribunal Federal (STF) julga hoje o mandado de segurança do ex- presidente Collor, que quer reaver seus direitos políticos cassados pelo Senado Federal há um ano. O líder do governo no Senado, Pedro Simon (PMDB-RS), admitiu ontem, em nota oficial, que Geraldo Farias, amigo do presidente Itamar e atual diretor de Recursos Humanos do Banco do Brasil, recebeu em 1989 verbas destinadas à campanha da chapa do PRN no Triângulo Mineiro, Vale do Aço e Zona da Mata. O texto assegura que Geraldo, então secretário particular do candidato a vice-presidente, transferiu o dinheiro "de imediato" e prestou contas diretamente ao PRN. Para livrar Geraldo de qualquer responsabilidade, afirma ainda que "as contas da campanha eleitoral foram prestadas pelo PRN ao Tribunal de Contas da União (TCU), como manda a lei, e por esse analisadas". Simon também assegurou que o presidente não recebeu "nenhum cheque de Fernando Collor nem de PC Farias" durante a campanha presidencial de 1989. O ministro da Justiça, Maurício Corrêa, disse que o próprio presidente poderá quebrar o seu sigilo bancário para provar que não recebeu qualquer cheque de PC durante a campanha. Itamar não tem nada a temer", afirmou (O ESP) (FSP) (O Globo).