ECOLOGIA MOBILIZA BRASILEIRO APENAS NA TEORIA

Ao ser indagado sobre o grau de sacrifício que faria em prol do meio ambiente, o brasileiro dá respostas que demonstram zelo. Se for cobrada, no entanto, sua colaboração para concretizar este objetivo, a disposição demonstrada em teoria cai por terra, na prática. Constatações como essa estão no livro "O que o brasileiro pensa de ecologia?", a ser lançado pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER). O texto, acompanhado de gráficos, é resultado de duas pesquisas. Na primeira, feita pelo IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), foram entrevistadas 3.650 pessoas em 260 municípios. A segunda envolveu 72 pessoas consideradas formadoras de opinião-- cientistas, parlamentares, técnicos governamentais e ambientalistas. O trabalho concluiu que quem define a relação do brasileiro com a ecologia são os meios de comunicação, principalmente a televisão-- opinião de 80% dos entrevistados. Para o brasileiro médio, ecologia é sinônimo de fauna e flora, e o principal problema é o desmatamento. Já os formadores de opinião consideraram mais graves as questões urbanas, como a falta de saneamento. A pesquisa revela que o povo não se percebe integrante do meio ambiente-- 61% dos entrevistados associam o tema às matas. Na hierarquia estabelecida pelos entrevistados, a água é a principal preocupação ecológica para 59%; os animais silvestres são prioridade para 58%; seguidos dos rios (56%), do ar (53%), solo e terra (47%), o homem (45%) e o índio (33%). Cidades (22%) e favelas (18%) ficaram no fim da lista. Entre os formadores de opinião demonstraram maior nível de "consciência ecológica" os ambientalistas, seguidos dos técnicos governamentais, cientistas, integrantes de movimentos sociais, empresários e, por último, os políticos. Foram entrevistados nomes como o deputado federal Fábio Feldman (PSDB-SP), o cientista Aziz AbSaber, os deputados Roberto Freire (PPS-PE) e José Genoíno (PT-SP) e o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Os entrevistados disseram considerar parte da dívida externa brasileira Ilegítima" e temer a sua conversão em recursos para projetos ambientais-- isso funcionaria como um reconhecimento de que o país deve. Um perfil das cerca de 800 Organizações Não-Governamentais (ONGs) do país, ligadas ao meio ambiente e criadas entre 1980 e 1985, também publicado no livro, mostra que a maioria é amadora, sem sede, pessoal permanente, dotação orçamentária ou grupamento superior a 50 militantes. Para as ONGs, revela o livro, não existe direita ou esquerda. Os ambientalistas dividem-se em conservacionistas, sócio-ambientalistas e eco-desenvolvimentistas. A pesquisa constatou que o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) é a entidade ecológica conhecida por 8% dos brasileiros e o PV (Partido Verde) por 10%. Apenas 1% dos entrevistados declararam conhecer entidades como Greenpeace, S.O.S. Mata Atlântica, FEEMA, Fundação Brasileira de Conservação da Natureza e Fundação Chico Mendes. O PV continua sendo rechaçado pelos ambientalistas. Eles acreditam que a causa verde deve ser abraçada por todos os partidos (JB).