Exatas 20 sessões e 13 depoimentos depois, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento completa hoje 46 dias de trabalho com a certeza de que, até agora, seis deputados entrarão na lista dos pedidos de cassação. Forte candidato a engrossar esta relação, o ex-presidente da Câmara, Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) fez novo pedido para adiar seu depoimento, previsto para o próximo dia sete, quando teria que explicar a origem de US$1,1 milhão creditado em suas contas nos últimos cinco anos. Os possíveis cassados são: João Alves (ex-PPR-BA), Ricardo Fiúza (PFL- PE), Manoel Moreira (PMDB-MG), José Geraldo Ribeiro (PMDB-MG), Genebaldo Correia (PMDB-BA) e Cid Carvalho (PMDB-MA). O dossiê da Norberto Odebrecht divulgado esta semana refere-se a apenas uma das caixas de documentos apreendidas na casa do diretor da empresa em Brasília (DF), Ailton Reis. A CPI aguarda o envio de mais 15 caixas e 22 disquetes de computador que ainda estão sendo analisadas pela Polícia Federal. Esses papéis desvendam toda a estrutura de lobby da Odebrecht, acusada de ter montado um esquema de pagamento de propinas a parlamentares, governadores e funcionários do Executivo. Baseada em auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), a CPI calcula que, nos últimos cinco anos, o desvio de verbas para subvenções sociais foi de US$50 milhões. O TCU comprovou que, no mesmo período, houve aplicação irregular de dinheiro público em 53 das 70 entidades e prefeituras investigadas até agora. O coordenador da Subcomissão de Subvenções Sociais, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), pediu o cancelamento imediato do registro destas entidades no Conselho Nacional de Serviço Social (JB).